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NORBERT ELIAS em "O processo civilizador"

"Se contemplamos o passado como se fosse uma espécie de álbum ilustrado, se nosso olhar se dirige principalmente para as mudanças de ''estilos'', podemos facilmente imaginar que, de tempos em tempos, os gostos e a mente das pessoas mudassem bruscamente, como que por efeito de uma mutação interior: num momento temos "personalidades góticas", noutro "homens da Renascença" e, depois, "tipos barrocos". Mas, se tentarmos conceber a estrutura de toda a rede de relacionamentos na qual cada pessoa de uma certa época estava emaranhada, se procurarmos seguir as mudanças nas instituições sob as quais viviam, ou as funções das quais dependia sua vida social, nossa impressão de que, em algum momento, a mesma mutação repentina e inexplicável tenha ocorrido em muitas mentes separadas, vai perdendo substância. Todas essas mudanças ocorreram com grande lentisão, num período de tempo considerável e, em boa parte, sem serem ouvidas por aqueles capazes de perceber apenas os grandes eventos que ressoam por toda a parte."
p.221

RONEY CYTRYNOWICZ em "Guerra sem guerra"

A guerra ocupa um lugar central na historia do seculo 20, especialmente as duas Guerras Mundiais. A história da Europa, por exemplo, está periodizada no século 20 pelas guerras, pela guerra. Há o Pré-guerra, a Primeira Guerra, o Entreguerras, a Segunda Guerra, o Pós-guerra e a Guerra Fria (e a queda do Muro de Berlim, construído em uma guerra, a Guerra Fria, por causa de outra guerra, a Segunda Guerra Mundial). Quando não há guerra, é entreguerras, é pré-guerra, é pós-guerra, mas sempre mobilização em torno da guerra.

DORÉ, LIMA & SILVA. Facetas do Império na História: conceitos e métodos. São Paulo: Hucitec, 2008

"Com efeito, parafraseando José Carlos Chiaramonte, o que cabe ao historiador não é perguntar-se sobre os conteúdos que podem definir determinada categoria, 'e sim interrogar os seres humanos de cada momento e lugar que empregavam o conceito e indagar por que e como o faziam e a que realidades o aplicavam'."

WHITE, Rayden. Teoria literária e escrita da história. In: Estudo Históricos, Rio de Janeiro, vol. 7, n. 13, 1991.

"É a natureza metafórica dos grandes clássicos da historiografia que explica por que nenhum deles jamais 'encaixotou' um problema histórico definitivamente, mas antes sempre 'destampou' uma perspectiva sobre o passado que inspira mais estudo. É este fato que nos autoriza a classificar o discurso histórico primordialmente como interpretação, mais do que como uma explicação ou descrição, e sobretudo como um tipo de escrita que, em vez de apaziguar nossa vontade de saber, nos estimula a cada vez mais pesquisa, cada vez mais discurso, cada vez mais escrita."

SIMIAND apud REVEL, J. História e historiografia. Curitiba: Ed.UFPR, 2010.

"A representação do passado que pode e quer nos dar a história não é em grau algum uma ‘fotografia do passado’; ela não é em grau algum uma reprodução integral, um registro de todos os fatos que os documentos subsistentes permitem conhecer. A obra histórica mais bruta, o exame minucioso de textos mais amorfos, a coletânea de documentos mais passivos, já é uma escolha, implica alguma eliminação, supõe uma visão prévia do espírito."

"Ora, narrativa histórica é a forma enunciativa que permite muito frequentemente fazer passar essas construções arbitrárias por explicações racionais."

JEAN FLORI em "A cavalaria"

"... de filmes ditos 'históricos' muito romanceados, mais preocupados em responder à expectativa emocional do público que em conformar-se a uma realidade julgada muitas vezes banal demais; colorida com significados demasiadamente diversos e ambíguos e que ainda variam conforme os lugares e as épocas."

VEYNE, Paul. Como se escreve a história e Foucault revoluciona a história. Brasília: Ed. UnB, 1998.

"Sabemos muito bem qual é o esforço característico do ofício de historiador e o que lhe dá sentido: espantar-se com o que é óbvio."

PIEDADE, M. A. Requião. Introdução à Teoria da Classificação. Rio de Janeiro: Interciência, 1983.

“O homem começou a pensar e a procurar uma explicação para a sua existência, e assim surgiu a Filosofia; incapaz de desvendar o mistério imaginou a existência de um ser supremo que o havia criado, surge a Religião; multiplicando-se o homem passa a viver em sociedade e vêm as Ciências Sociais; sente necessidade de se comunicar com os companheiros e cria as línguas; passa então a investigar os segredos da natureza e temos as Ciências Puras; de posse destes conhecimentos procura deles tirar proveito, aparecendo as Ciências Aplicadas; e, agora, já se sentindo capaz de criar, dá origem às Artes e à Literatura; finalmente encontramos a História que conta como tudo se passou.”
(p.89)

REIS, José Carlos. História & Teoria: Historicismo, Modernidade, Temporalidade e Verdade. Rio de Janeiro: FGV, 2003.

"E mesmo se o historiador pudesse retornar ao passado, isso o tornaria um conhecedor mais eficiente? Ele se tornaria apenas um contemporâneo, envolvido pelo seu objeto, e saberia tanto daquela época quanto alguém que a viveu, ou seja, muito pouco!"
(p. 99)

HOBSBAWM, Eric. Tempos Interessantes. Porto: Campos das Letras, 2005

"Em minha vida, atravessei quase todo o século mais extraordinário e terrível da história da humanidade. Morei em alguns países e vi algo de outros, em três continentes. Talvez eu não haja deixado no mundo uma marca visível no curso dessa longa existência, embora deixe boa quantidade de marcas impressas em papel, mas desde que tomei consciência de ser historiador, com a idade de dezesseis anos, observei e ouvi durante a maior parte dela, buscando entender a história de meu próprio tempo."
 
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