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Trilha Sonora - Tico Santa Cruz e o Clube da Insônia

Sejam bem vindos, senhoras e senhores, à Trilha Sonora do mês de Novembro.

E o assunto de hoje é o vocalista da banda Detonautas Roque Clube, Tico Santa Cruz, que já tem 3 livros publicados: Clube da Insônia, Tesão e Pólvora.

Mas, se permite, antes de entrar de vez em sua obra literária, eu pretendo falar um pouco mais do músico e das razões que levaram a escrever.

O ano era 2002 e, apesar da banda já existir desde 1997, o Detonautas Roque Clube lançou seu primeiro disco homônimo, que foi um grande sucesso e emplacou os hits: Outro Lugar, Quando o Sol se For e Olhos Certos.

Dois anos depois, o segundo álbum, Roque Marciano, foi lançado e também atingiu grande sucesso e, inclusive, ganhou um Disco de Ouro. Em Março de 2006 o grupo lançou seu terceiro disco Psicodeliamorsexo&distorção (Sim, se escreve tudo junto assim mesmo), é um disco um pouco diferente dos anteriores, pois é mais voltado ao Rock puro, sem a mistura de outros elementos como nos discos anteriores.

Infelizmente, 2006 não foi um ano alegria para os Detonautas. No dia 4 de Julho daquele ano, o guitarrista Rodrigo Netto foi assassinado numa tentativa de assalto. Rodrigo não havia reagido.

Capa do Clube da Insônia
E claro, esse tremendo golpe do destino mudou o rumo dos Detonautas, em especial, de Tico Santa Cruz, que já era envolvido em causas sociais antes desse fato. A revolta com a morte de Rodrigo trouxe a necessidade de 'pôr para fora' em Tico, que abriu um Blog para escrever sobre seus sentimentos, e claro, questões sociais, algo como os textos que podem ser lidos hoje em sua página no Facebook. E esses textos vieram a dar luz à seu primeiro livro, o Clube da Insônia, que é uma coletânea desses textos. E o resto é história.



Trilha Sonora - Cartas de Amor Aos Mortos



Oi, gente. Tudo bem com vocês? Eu espero que sim. E o assunto da Trilha Sonora de hoje é o livro Cartas de Amor aos Mortos (Love Letters To The Dead no original), primeiro romance da Norte-Americana Ava Dellaira, publicado em 2014.

Cartas de Amor aos Mortos nos introduz na vida de Laurel, uma adolescente que busca reconstruir sua vida, ou ao menos achar um ponto de equilíbrio, após a morte de sua irmã e todas as consequências dessa tragédia. O que parece uma história triste, e de certa forma mórbida, acaba se tornando uma jornada de auto conhecimento que envolve vários sentimentos e não somente a tristeza.

A música entra em jogo, e vale dizer que é parte importante da trama, quando Laurel recebe na escola a tarefa de escrever uma carta para alguém que esteja morto, e fugindo do óbvio, as cartas não são endereçadas à sua irmã, mas sim à artistas mortos, tais como Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, entre outros. Talvez a grande jogada da autora seja o modo como as cartas são escritas, pois por mais que as cartas sejam para pessoas as quais Laurel não tinha qualquer intimidade, a não ser é claro, pela música que eles faziam, as cartas tem um conteúdo muito pessoal que junta as lembranças da irmã falecida, o presente de Laurel, e algum fato que encaixa os artistas na história. 

Se música for exatamente a sua área pode ser um exercício legal procurar depois as pessoas à quem Laurel escreve, como eu já disse antes as cartas são pessoais, ou seja, elas não informam como um artigo de revistas quem é e o que fez o interlocutor de Laurel.

Fiquem com um recado da autora para os fãs brasileiros!

Trilha Sonora - NOFX & Douglas Adams

E aí, gente, tudo tranquilo com vocês? Espero que sim. E aqui vai mais uma Trilha Sonora para vocês.

A banda convidada de hoje, é o NOFX, os caras estão na ativa desde 1983, e, com certeza, ainda são um dos nomes mais importantes do Punk Rock. As letras abordam os mais variados temas, apesar de usar de ironia e um humor controverso, a banda é comumente associada à questões políticas.


Capa do disco

O disco que os traz aqui hoje é So Long and Thanks for All the Shoes, numa tradução livre, Adeus, e Obrigado pelos Sapatos, lançado em 1997. So Long and Thanks For All The Shoes é uma referência direta ao título da série Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy), So Long, and Thanks For All the Fish, que foi traduzido aqui, para Até mais, e Obrigado pelos Peixes!


A série de livros foi escrita por Douglas Adams, famoso escritor e comediante inglês, que chegou a escrever esquetes para o famoso Monty Python's Flying Circus. Os livros do Guia do Mochileiro das Galáxias são um tipo de saga espacial que serve de alegoria para tratar, com muito humor non-sense, de temas atuais como política e sociedade. O primeiro livro da série foi publicado em 12 de Outubro de 1979. Douglas Adams faleceu de um ataque cardíaco em 2001, aos 49 anos.



Disco Completo

Trilha Sonora - Led Zeppelin e a Montanha Sombria

Capa do disco

Salve, queridos leitores, tudo bem? Essa é a Trilha Sonora de Junho, que conta com as presenças lendárias do Led ZeppelinJ. R. R. Tolkien.


Vamos começar pela banda, o Led Zepplin foi uma banda inglesa de Rock, para não dizer Rock Psicodélico, Progressivos e outros gêneros com os quais a banda flertou, formada em 1968 e que, infelizmente, teve vida curta, só durou até 1980. Durante esse período, O Led (para os íntimos) lançou oito álbuns de inéditas e um álbum póstumo, chamado Coda, que contém versões alternativas de canções já lançadas e restos de estúdio.
Apesar do pouco tempo em que a banda esteve em atividade, sua importância para a música em geral, e em especial para o Rock e seus Subgêneros, é inquestionável.

Em 1970, o Led Zeppelin lançou o quarto álbum de estúdio, batizado de Led Zeppelin IV, que além de conter os clássicos Black Dog e Stairway To Heaven, tem a canção que os trouxe a coluna de hoje, Misty Mountain Hop.

O que nos leva ao escritor, filólogo, doutor em letras e professor universitário, J.R.R. Tolkien. A obra que o traz aqui hoje, é o famoso livro O Hobbit, lançado em 1937, que narra a saga de Bilbo Bolseiro, envolvido por Gandalf numa jornada para recuperar a Montanha Solitária e o imensurável tesouro do Dragão Smaug.

Misty Mountain Hop, pode ser traduzido como A Dança da Montanha Sombria, que é uma referencia direta ao livro de Tolkien. Em um determinado momento do livro, um grupo de anões e o hobbit cantam uma canção sobre recuperar a Montanha Solitária e o tesouro, e após o término da canção, Gandalf apresenta um plano que passa pela Montanha Sombria.

Trilha Sonora - De Camus a The Cure

Hoje é dia de Trilha Sonora. Como vão vocês? A coluna de hoje traz o grande nome do Pós-Punk, The Cure, e o filósofo e prêmio Nobel de Literatura, Albert Camus.



Albert Camus (1913-1960) foi escritor, filósofo e ensaísta francês. Curiosamente, ele não nasceu na França, e sim, na Argélia, quando essa ainda era uma colônia francesa. Camus também foi jornalista militante na Resistência Francesa (La Résistance, 1940-1944), um movimento de franceses que eram contra a submissão do Estado Francês ao poder nazista.

Em 1942, foi lançado o romance mais popular de Camus, O Estrangeiro (L'Étranger, no original). Esse livro é parte do Ciclo do Absurdo, trilogia artística composta pelo livro O Estrangeiro, o ensaio O Mito do Sísifo (Le mythe de Sisyphe), lançado em 1942, e pela peça Calígula (Caligula) de 1941. Essas obras juntas são conhecidas como Ciclo do Absurdo porque descrevem a característica básica da filosofia de Camus, o Absurdo.

O Estrageiro narra a saga de Meursault, um homem que recebe um telegrama com notícias da morte de sua mãe, e sua incapacidade de sentir qualquer coisa em relação à morte dela e ao assassinato que comete dias depois, numa praia, onde encontra o irmão de uma ex-namorada, chamado apenas de "o Árabe".


Em 1978, a banda inglesa The Cure lançou seu primeiro single, Killing An Arab (Matando O Árabe, em português), que é uma referência ao livro de Camus. O que talvez não tenha sido uma boa ideia para o The Cure, pois a canção foi considerada xenófoba, o que rendeu muitas críticas a banda, que mudou a letra da música em várias apresentações. Algumas das alterações feitas foram Kissing An Arab (Beijando o Árabe) e Killing Another (Matando Outro). Apesar do mal-entendido e da música ter ficado de fora do primeiro disco da banda, Three Imaginary Boys (1979), Killing An Arab é um clássico da banda e foi relançada na versão norte americana de seu segundo disco, Boys Don't Cry (1980). 





Trilha Sonora - Gita

E aí, gente, como é que vocês estão? Bem? Então, maravilha. Para a Trilha Sonora desse mês, eu tenho um desafio para vocês, mas, calma, é algo bem simples, está mais para uma brincadeira. Quer brincar?

Vamos lá: Sem olhar no Google, ou perguntar para alguém mais velho (Aliás, acabo de perceber que não sei a faixa etária dos leitores dessa coluna, então, se tu já leu, lê, ou se é a primeira vez, diga nos comentários a sua idade, agradeço desde já), você conhece a música Gita? Não? Tem certeza? Ela está lá no fim da postagem, aposto que tu vai dar play e dizer algo como: Ah! Essa música.

Bom, agora você queimou os neurônios um pouco e descobriu que sabe, e provavelmente sempre soube qual música é Gita, então está na está na hora de explicar porque a canção do eterno maluco beleza, Raul Seixas, é o tema da Trilha Sonora de abril.



Gita foi lançada em 1974 num single compacto homônimo com apenas duas faixas (a outra canção eu digo qual é mais para frente) e foi um sucesso tão grande, que no ano seguinte um disco completo foi lançado e também foi batizado de Gita. A canção foi composta por Raul Seixas em parceria com seu amigo, Paulo Coelho. Sim, aquele Paulo Coelho, o escritor de Diário de Um Mago (1987), As Valkírias (1992), Veronika Decide Morrer (1998) e muitos outros, traduzido para 66 idiomas, o autor mais vendido em língua portuguesa de todos os tempos, e que em 2014 ganhou uma cinebiografia chamada Não Pare na Pista, alcunha da segunda faixa do compacto de Gita.


Cartaz do Filme
O termo Gita é uma alusão a um texto religioso do Induísmo, o Bagavadguitá, que significa A Canção de Deus e retrata um diálogo, num campo de batalha, entre uma entidade chamada Krishna e seu discípulo guerreiro, Arjuna.





Mais sobre:

Trilha Sonora - Ramones e Stephen King

E, de repente, chegamos a outra Sexta-Feira 13, que vem acompanhada de mais uma Trilha Sonora.
Os convidados de hoje são: O quarteto considerados por muitos os pais do Punk Rock, os Ramones, e o, não menos importante, mestre de terror literário, Stephen King, que aliás, já deu as caras por aqui.




Não que os Ramones precisem de uma apresentação, mas, para aqueles que não os conhecem (até porque, ninguém é obrigado a conhecê-los), lá vai: Os Ramones são uma banda de Punk Rock vinda de Nova Iorque em 1974 (na época, nenhum dos integrantes sabia tocar), conhecidos mundialmente por suas melodias simples e pegajosas, que também os encaixa em outro estilo de música, o Bubblegum. Seu primeiro disco homônimo foi lançado em 1976, a primeira faixa, Blitzkrieg Bop, é o maior clássico da banda. 
  



Em 1989, os Ramones lançaram seu décimo primeiro disco e maior sucesso comercial, Drain Brain (Sugador de Cérebro, numa tradução livre), mas não é a toa que esse é o álbum mais vendido do quarteto novaiorquino, a música Pet Sematary (Cemitério de Animais, numa tradução livre) tem responsabilidade nisso, além de ter sido um sucesso por si só, a canção foi trilha sonora de um filme de terror com o mesmo nome. O filme foi lançado por aqui com o título Cemitério Maldito.

Agora você deve estar pensando: "Legal! Tu já falou da banda, do disco e do filme, mas cade o livro?"
Então, vamos ao livro, O Cemitério (No original, Pet Sematary), é um romance de terror escrito por Stephen King e lançado em 1983.

O livro narra a história da família Creed, que se muda após o patriarca da família, Louis Creed, ser promovido no trabalho. A mudança, que a principio era boa, se mostra amarga, quando todos os membros da família começam a ter má sorte. Como se a má sorte não fosse o bastante, o gato de estimação dos Creed morre, e Louis, sem coragem de dar a notícia em casa, se lembra que seu novo vizinho o havia mostrado um cemitério informal, onde as crianças do bairro enterravam seus animais, ignorando os avisos de seu vizinho sobre os poderes malditos daquela terra, Louis enterra o animal, e claro, esse volta a vida mas não é o mesmo gato. Assim como tudo o que é enterrado lá.
Sim, música e filme, são baseados no livro.

Duas curiosidades sobre o tema:
1º Além de ter escrito o roteiro, Stephen King fez uma pequena participação no filme como um pastor.
2º A grafia certa em inglês para Cemitério é Cemetery, e não, Sematary. Mas essa é uma referencia direta ao livro. No tal cemitério de animais há um placa com mesmo erro de grafia.

Até a próxima.



Trilha Sonora - Crowley & Osbourne

Essa é a primeira Trilha Sonora do ano e, como hoje é Sexta-Feira 13, por que não começar falando de um tema meio obscuro? E para essa tarefa, eu escolhi um clássico do Heavy Metal e um influente ocultista inglês.

Ozzy Osbourne, também conhecido como Príncipe das Trevas, o eterno vocalista do Black Sabbath, em 1977 não estava num bom momento com sua banda e, após o processo estressante de gravação do disco Never Say Die! (1978) e uma turnê turbulenta, Ozzy foi expulso da banda. Esse afastamento durou até 1998, quando o Sabbath se reuniu para lançar o álbum ao vivo, Reunion.

As capas de Blizzard Of Ozz e Diary Of A Madman.
Em março de 1980, Ozzy começou as sessões de composição e gravação do seu primeiro álbum, Blizzard of Ozz (20 de Setembro de 1980). Ao chegar ao estúdio, Ozzy encontrou cartas de Tarot e um livro de Aleister Crawley. Depois desse episódio Ozzy se tornou fascinado pela obra e vida de Crawley, tanto que compôs a música Mr.Crawley (Sr.Crawley) que foi o single do Blizzard of Ozz, e, no ano seguinte batizaria seu segundo disco solo de Diary Of A Madman (Diário de um Maníaco, numa tradução livre) fazendo referência a auto biografia de Crowley, The Confessions of Aleister Crowley (As Confissões de Aleister Crowley, numa tradução livre).

Aleister Crowley

Aleister Crowley (1875- 1947), foi um ocultista britânico, criou sua própria corrente de pensamento, que é considerada por alguns uma religião, o Thelema. Aleister era mago, adepto do Hedonismo, membro da Ordem Hermética da Aurora Dourada, foi co-fundador da Astrum Argentum e líder da Ordo Templi Orientis. Crowley escreveu muitos ensaios sobre magia, mas sua obra mais importante é O Livro da lei, esse o transformou numa figura icônica tanto que, numa pesquisa realizada pela BBC, Crowley ficou entre os 100 Maiores Britânicos. Várias celebridades citam Crowley como inspiração, entre elas o maluco beleza, Raul Seixas, o escritor Alan Moore (Watchmen, Liga Extraordinária, V de Vingança) e John Lennon. Inclusive uma das personalidades na capa do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, disco importantíssimo dos Beatles, é o próprio Crowley.

Trilha Sonora - Marilyn Manson X Lewis Carroll

Marilyn Manson é um personagem e tanto, disso ninguém dúvida. Acho que ele gostaria de ter saído da mente de Charles Lutwidge Dodgson que, como ele, é mais conhecido por seu pseudônimo, Lewis Carroll. Essas são as duas figuras que protagonizam a Trilha Sonora de Dezembro de 2014.

Alice no País das Maravilhas (Alice's Adventures in Wonderland, no original, que aliás, é comum que se abrevie para Alice in Wonderland) é a obra mais famosa de Lewis Carrol (1832 - 1898). O livro narra as aventuras de Alice, uma garota que está brincando com sua irmã e vê um coelho trajando roupas e um relógio de bolso, por conta dessa disparidade a garota decide segui-lo. Uma vez dentro da toca do coelho, Alice não só encontra uma toca decorada como uma casa, mas também um novo mundo.

Lewis Carroll é famoso por ser um representante da literatura Nonsense (Sem Sentido, numa tradução literal), a qual se utiliza um humor transtornado (?) e sem sentido.

Eat Me, Drink Me (Coma-Me, Beba-Me em Português) é o sexto disco de Brian Hugh Warner, sim, esse é a verdadeira alcunha de Marilyn Manson, esse que é ícone dos anos 2000, fase onde alcançou auge do sucesso comercial. A música Rock Is Dead foi trilha sonora oficial do primeiro Matrix (Já ouviu falar, né?), e também foi alvo de polêmicas. Marilyn Manson foi acusado de ter influenciado com sua música dois jovens norte americanos a realizarem um massacre numa escola, essa tragédia é retratada no documentário Tiros em Columbine, do cineasta Michael Moore.

Dentro da toca do coelho, Alice encontra uma garrafa com a inscrição: Beba-me. O conteúdo da garrafa a faz encolher. E não muito depois, Alice encontra um bolo com os dizeres: Coma-me. E esse, por sua vez, a faz aumentar de tamanho. Esse trecho do livro serviu de inspiração para a canção e para o disco de Marilyn Manson.

Eat Me, Drink Me

Rock is Dead, versão com cenas do filme

Trilha Sonora - Pete & The Boy with the Thorn in His Side

A Trilha Sonora de hoje é uma mistura de duas bandas que tem Punk, ou talvez fosse melhor dizer ramificações do mesmo, como origem. E as bandas são: The SmithsFall Out Boy.

E agora você que conhece a coluna deve estar se perguntando onde o livro se encaixa entre essas duas bandas. Calma, é só continuar lendo.

Era uma vez um garoto que tinha problemas com o sono. Bom, não exatamente com o sono mas com as criaturas que nele habitam. Os pesadelos eram tão marcantes que permaneceram na mente do garoto Peter Lewis Kingston Wentz III, hoje conhecido como Pete Wentz, o baixista do Fall Out Boy, que decidiu fazer uma coletânea de contos com seus pesadelos e esses escritos se tornaram o livro, The Boy with the Thorn in His Side (O Garoto Aflito, numa tradução livre).




Mas esse nome não foi escolhido ao acaso. The Boy with the Thorn in His Side é o nome de um dos clássicos do The Smiths, banda da qual Pete é fã e que costuma tratar de temas pessoais em suas letras, como vazio interior e problemas para se adequar. E, claro, The Boy with the Thorn in His Side não é diferente, o que faz livro e canção de alguma forma íntimos.


Trilha Sonora - Anthony Burguess X Lana Del Rey

A Copa do Mundo Fifa de 1974 teve como vencedora a seleção da então Alemanha Ocidental, também sede da competição. Mas esta não foi a revelação daquele campeonato, nem mesmo a Seleção Canarinho, que ainda tinha em campo Rivellino e Jairzinho. A grande revelação foi a Seleção Neerlandesa de Futebol, que é comumente chamada de Seleção Holandesa de Futebol, representante dos Países Baixos nos eventos de futebol da UEFA e FIFA.

Saindo de Geografia e voltando à história da Seleção "Holandesa", em 1974 o técnico Rinus Michaels trouxe uma tática inovadora para o gramado, tática essa que consistia em alternar os jogadores em suas posições. Jogando assim os holandeses desclassificaram o Brasil, se tornaram favoritos ao título, foram vice-campeões, e ainda ganharam dois apelidos icônicos. Um deles é "Carrossel Holandês" e o outro dá o ponta pé inicial na Trilha Sonora de Setembro: Laranja Mecânica.


Laranja Mecânica (Clockwork Orange) é um romance de Anthony Burguess (1917-1993), que além de escritor e crítico literário também foi compositor, poeta, radialista, tradutor, linguista e pedagogo. Narrado em primeira pessoa por Alex, Laranja Mecânica nos leva a uma Inglaterra futurística cujos jovens estão inseridos numa cultura de violência extrema (Ultraviolence) e gratuita. Alex, apesar de ser um violento líder de gangue, não é considerado um vilão, mas sim, um anti-herói, já que sua saga também apresenta uma certa redenção. Uma das coisas que mais chama atenção no livro é que ele é em parte escrito num dialeto criado por Burguess chamado Nadsat.

Uma das palavras criadas por Burguess é Ultraviolence, que nos traz a 4 de junho de 2014, o dia do lançamento virtual da canção "Ultraviolence", que também dá nome ao disco da cantora Lana Del Rey.



Laranja Mecânica já tinha conquistado uma porção de fãs como livro mas o lançamento do filme homônimo em 1971, dirigido, produzido e roteirizado pelo cultuado diretor, Stanley Kubrick (do qual que já falei em outro post), só ajudou a popularizar a obra. Ainda que ela seja melhor aceita em subculturas urbanas como o Punk, o Skinhead e o Metal, por seu conteúdo pesado, as referencias à Laranja Mecânica na cultura pop são várias e seria impossível listar todas. Mas separei algumas e é provável que Laranja Mecânica volte a aparecer por aqui.

Obrigado a todos que leem, comentam, compartilham. Grande abraço e até mais.



Eminem na capa da Spin

Capa da MAD


Simpsons: TREEHOUSE OF HORROR V (1994)


Clipe de Ultraviolence

Trilha Sonora - Team Dresch, Walt Whitman e Robin Williams

Team Dresch

Para a Trilha Sonora de hoje eu tinha outros planos mas devido a trágica morte do ator Robin Williams, achei por bem trocar o tema e fazer uma pequena homenagem ao ator.

Agora você deve estar se perguntando, "Ué! mas essa não é uma sessão que mistura música e literatura, como é que você vai pôr um ator de Hollywood nisso?", é só continuar lendo.

Team Dresch é uma banda de Queercore, que é uma vertente do Hardcore Punk na qual as letras são voltadas para homossexualidade, seja sobre questões politicas ou pessoais. O grupo foi formado em Washington, capital do Estados Unidos da América, em 1993. Captain My Captain é o segundo disco das meninas do TD e foi lançado em 1995.

Captain My Captain é uma citação ao poema de Walt Whitman (1819-1892), O Captain! My Captain! ("Ó capitão! Meu capitão" numa tradução livre). Walt, além de poeta, foi jornalista e ensaísta e também é conhecido como o "pai do verso livre".

Mas essa não foi uma citação escolhida ao acaso, o poema de Whitman narra a morte do presisente norte americano, Abraham Lincoln, que foi um grande abolicionista norte americano e uma peça chave na Guerra da Secessão. O Team Dresch homenageou Lincoln e agregou valor a sua própria luta por direitos.

Sociedade dos Poetas Mortos

O trabalho de Walt Whitman já era reconhecido mundialmente antes de 1989 quando o filme Sociedade dos Poetas Mortos foi lançado, mas com o sucesso do longa sua obra ganhou ainda mais admiradores. No filme, John Keating, um professor de poesia nada convencional, inspira os alunos a irem além dos livros. E em determinado momento da história John diz aos alunos que eles podem chamá-lo de "Capitão, meu Capitão" numa clara referência ao poema de Whitman.

Robin Williams deu vida a John Keatings e a vários outros personagens marcantes no cinema. Espero que sua alma tenha encontrado a paz, Robin.

Até a próxima.

Link do Poema Original - O Captain! My Captain!

Tradução do Poema - O Capitão! Meu Capitão!

Mais sobre a banda Team Dresch - Link

Trilha Sonora - Fragmentos de uma Autobiografia



Domingo, 13 de julho. Além de ser a data da final da Copa do Mundo de 2014, também é comemorado o tal Dia Mundial do Rock. Em 1985, no dia 13 de julho, aconteceu o Live Aid, um festival simultâneo que ocorrido em Londres (Inglaterra) e na Filadélfia (EUA). Teve apresentações de grandes nomes da música, como Madonna; Queen; Led Zepellin; BB King, U2 e muitos outros.

E para escrever minha coluna e comemorar o Dia do Rock, decidi fazer diferente de novo (mês passado também fugi do que costumo fazer). Enfim, normalmente eu escolho uma música, disco ou artista, que tenha buscado inspiração na literatura. Hoje, farei o contrário, ou seja, vou falar de um livro que buscou inspiração na música e esse livro se chama Kurt Cobain - Fragmentos de uma Autobiografia, escrito por Marcelo Orozco e lançado em 2002.

Para quem não sabe Kurt Cobain foi o líder do Nirvana, a banda mais expressiva do Grunge. É considerado por muitos o homem que matou o Punk e o último Rockstar.

Fragmentos de uma Autobiografia conta a história de Kurt da forma mais interessante possível para seus fãs, através de suas músicas. Cada música representa um capítulo, e como todo material original do Nirvana é autobiográfico, ou coisa que o valha, essa ideia  funciona muito bem para construir um mosaico sobre quem era Kurt Cobain.

Feliz dia do Rock.

Trilha Sonora - O Apanhador no Campo de Centeio

Hoje é Sexta-feira 13 e, para não sair do clima de terror e medo, hoje não vou me focar em falar de um artista/música que tenha se inspirado ou citado livros, mas, vou falar de um livro que além de ter servido de inspiração para muitos artistas também é acusado de ter inspirado assassinos, de ter parte importante numa conspiração e de enlouquecer seus leitores. E o livro que me fez mudar o assunto, e de certo modo, o foco da minha coluna é O Apanhador no Campo de Centeio.



O Apanhador no Campo de Centeio foi escrito por J. D. Salinger e publicado primeiramente numa revista entre 1945 e 1946. Anos depois, em 1951, o romance foi editado e lançado no formato de livro. Em 2005 apareceu na revista Times na lista dos Melhores Romances em Língua Inglesa.

O romance narra a história de Holden Caulfield, um jovem inteligente e gozador, ainda que meio mal humorado e rebelde, que não se entende direito e nem o mundo ao seu redor. A história vai tomando forma a partir do momento em que Holden é expulso do internado onde estuda e tem voltar para casa. Ao invés de ir direto para casa, Holden se lança em uma aventura em busca de amizade, de emoção, de compreensão e auto-compreensão.

O Apanhador no Campo de Centeio já foi citado pelo Green Day na música Who Wrote Holden Caulfield (Quem Escreveu Holden Caufield); pelo Guns'N'Roses na música Catcher In The Rye, que é o título original do livro em inglês; a banda Dance Of Days tem a música Caulfield; o Pearl Jam tem a música In hiding e, por último, vem a banda, The Caulfields. Mas, infelizmente, a obra de Salinger não ficou marcada para sempre na música pelas canções para as quais serviu de inspiração. No 8 de dezembro de 1980, John Lennon, o eterno líder dos Beatles e pacifista, foi assassinado por Mark Chapman na porta do prédio onde morava em Nova Iorque. Reza a lenda que após atirar no cantor, Mark não fugiu, só caminhou até o outro lado da rua, se sentou no meio fio, tirou uma cópia de Apanhador no Campo de Centeio do bolso e começou a ler. A bizarrice podia parar por aí, mas após ser preso Mark afirmou que estava prestes a cometer suicídio quando começou a ler o livro e que o livro indicou à matar John Lennon. No ano seguinte, no dia 30 de abril, o atirador que tentou matar o então presidente americano, Ronald Reagan, também afirmou ter sido convencido à tentativa de homicídio pelo livro.

Esses dois casos servem como base para várias teorias de conspiração envolvendo o livro. Algumas afirmam que o livro é apenas o gatilho para pessoas que tem em si o instinto assassino, ou misantropia; Outras dizem que o próprio livro se encarrega de enlouquecer as pessoas. Outra morte relacionada, que é sempre lembrada é a da atriz e modelo Rebecca Schaeffer. Rebeca foi baleada e morta pelo fã, Robert John Bardo, que a seguiu por 3 anos antes de agir. Ele também tinha uma cópia do livro consigo quando cometeu o crime.

Eu, quando o li, estava com um puta medo. Mas gostei bastante e até recomendo. Só espero não ser assassinado por isso. Separei alguns links para quem ainda está curioso sobre o livro.
Abraço a todos e boa leitura.

Trilha Sonora - Dance Of Days x Gabriel José García Márquez

No mês passado o mundo perdeu Gabriel José García Márquez, o jornalista, editor, ativista político, e claro, escritor colombiano, que é considerado um dos mais importantes escritores do século vinte, tanto que foi premiado em 1982 com o Nobel de Literatura pelo conjunto da obra.

Cem Anos de Solidão é sua obra mais famosa, que conta de forma bem peculiar a história fictícia da família Iguaran Buendia e de suas várias gerações, apenas Úrsula é personagem fixa, não se sabe ao certo, mas estima-se que ela tenha vivido entre 115 e 122 anos. O romance é localizado numa aldeia também fictícia chamada, Macondo.

Dance of Days é uma banda Punk/Pós-punk/Hardcore/Emo (ufa!) de São Paulo, conhecida por seus shows intensos e pela musicalidade única, se for talvez sua caracteristicas mais latente sejam suas letras tão bem escritas e que fazem alusões à personagens das mais diversas mídias, como o herói japonês Astro Boy ou à princesa dos contas de fadas, Rapunzel.

Em 2008, o Dance of Days lançou o disco Insônia, o qual tem a canção, Comerciais de Cigarro.

"Alguém que não te deixe
tão García Márquez, feito personagem
de Cem Anos de Solidão.
Você quer voar, mas eu só sei contar estórias
que não mais te encantam."
- Dance of Days; Comerciais de cigarro.

O verso pode ser interpretado de várias formas, afinal é uma canção pessoal. Mas é necessário dizer que García Márquez é considerado o pai do Realismo Mágico na América Latina, gênero literário no qual os personagens tem como característica a percepção de elementos mágicos como comuns.

Descanse em paz, García. Obrigado por deixar o mundo um pouco mais colorido do que o encontrou.


Comerciais de cigarro:


Letra:
Sob a lua cheia te fiz mil promessas de sol
pra iludir a sombra.
Me fiz santo de argila
e te enchi de contos sobre a vida
e de como seria olhar pra frente.

Não me joga na água quente,
nem me bota de ponta cabeça
pra ver se eu te arrumo alguém melhor que eu.

Alguém que não te deixe
tão García Márquez, feito personagem
de Cem Anos de Solidão.
Você quer voar, mas eu só sei contar estórias
que não mais te encantam.

Em nossa aldeia há tanta gente,
sozinha amontoada
e correndo...
Passando entre os carros só pra ver
comerciais de cigarro na TV.

Às vezes a gente fica assim,
mesmo sem motivo, e quer andar por aí.
Às vezes a gente não sabe o que quer,
mas sabe como é, e quer muito mesmo assim.
E é engraçado ver
que tudo sempre esteve aqui
mas a gente achava que estava tudo errado.

Hoje é assim,
você aí longe de mim,
aqui do meu lado.
Tão García Márquez, feito personagem
de Cem Anos de Solidão.
Você quer voar, mas eu só sei contar histórias
que não mais te encantam.

Em nossa aldeia há tanta gente,
sozinha amontoada
e correndo...
Passando entre os carros só pra ver
comerciais de cigarro na TV

Trilha Sonora - Rolling Stones X O Mestre e Margarida

Dois homens estão sentados num banco de praça. Eles discutem sobre um poema, o qual fala sobre religião. Mikhail Aleksandrovic Berlioz e o poeta, Ivan Nikolaevitch Poniriev, nem imaginam que serão abordados pelo visitante mais estranho que já pisou em Moscou. Um homem educado e culto, que afirma ter visto o julgamento de Jesus. E o viu, pois esse homem é o demônio.


Esse é o resumo da primeira parte do livro O Mestre e Margarida (1941),  do escritor russo Mikhail Bulgakov. Como já percebeu o livro narra a história fictícia de uma visita do Pai de Mentira à Moscou no fim da década de 20. Por mais que o enredo pareça absurdo e voltado para o terror, os temas abordados no livro são bem humanos, coisas como: maniqueísmo, inocência e culpa, honestidade, ganancia, patriotismo, e claro, um pouco de religião e fé.

Se você ligasse o Rádio em qualquer lugar do mundo no ano de 1968, provavelmente, ouviria Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, cantar o seguinte verso:

"Por gentileza me permita que eu me apresente.
Sou um homem de fortuna e requinte,
Estou por aí já faz alguns anos.
Roubei as almas e a fé de muitos homens.
E eu estava por perto quando Jesus Cristo
teve seu momento de dúvida e dor
fiz a maldita questão de garantir que Pilatos
Lavasse suas mãos e selasse seu destino"

Essa música se chama Sympathy For The Devil, em português "Simpatia pelo Diabo". Sympathy For The Devil é o primeiro single do sexto disco dos Rollings Stones, Beggars Banquet (1968). A canção foi um sucesso, e não só da forma positiva, a banda recebeu, e ainda recebe, acusações de satanismo pelo conteúdo da letra, ainda que o próprio Mick já tenha dito que é uma alusão ao livro. A revista Rolling Stone a classificou na 32ª posição em sua lista das 500 melhores canções de todos os tempos, além de ter sido regravada por vários artistas, como o Guns'n'Roses, até teve versão da atriz Cláudia Ohana na novela Vamp.

É interessante dizer que o livro tem três versões diferentes. Na versão tida como original, o fim do livro foi escrito pela esposa de Mikhail, já que autor morreu sem terminar a obra. Há também uma versão censurada que foi publicada pela revista Moscou em 1966, e também uma terceira versão composta pela especialista em literatura, Lidiya Yanovskaya, usando como base os vários manuscritos do autor.

Clipe legendado
  

Trilha Sonora - O Iluminado x Mudvayne



Só trabalho sem diversão faz do Jack um bobão,
Só trabalho sem diversão faz do Jack um bobão,
Só trabalho sem diversão faz do jack um bobão.

No original,  All work and no play makes Jack a dull boy, é um provérbio que sua primeira aparição na literatura foi no Proverbs in English, Italian, French and Spanish ("Provérbios em Inglês, Italiano, Francês e Espanhol" numa tradução livre) em 1659, do historiador e escritor, James Howell.

Mais de cem anos depois esse provérbio se tornou popular no mundo todo pela adaptação cinematográfica homônima do livro O Iluminado (1977) de Stephen King, pelas mãos do diretor megalomaníaco Stanley Kubrick, em 1980. É interessante dizer que os fãs de filmes de terror e alguns críticos consideram o filme o maior do gênero. Já Stephen King o detesta.


O Iluminado narra a história de Jack Torrance, um escritor que teve problemas com álcool e de temperamento, mas que está tentando provar à todos que se recuperou. Sendo assim, aceita um emprego de zelador no Hotel Halloran, o qual tem histórico de acontecimentos fantasmagóricos, como prova de sua personalidade mais responsável e sensata. Jack se muda para o hotel com sua esposa Wendy e seu filho Danny, onde tentam sobreviver à toda carga negativa que pertence ao hotel.

Mudvayne
Mudvayne é uma banda de New Metal formada nos Estados Unidos da América em 1996, conhecida por sua pintura corporal, apresentações caóticas (no bom sentido) e por ter um baixista extremamente virtuoso. Em 2007 a banda lançou a coletânea By the People, For the People que trazia a canção Dull Boy como single, no ano seguinte a canção foi regravada pela banda e relançada no disco The New Game.

Logo no início da canção a frase All work and no play makes Jack a dull boy é repetida quatro vezes demonstrando estados emocionais diferentes. A letra faz mais algumas referências ao livro ainda que se mantenha num tom pessoal. A mais notável, além da introdução, é Feel like an old man with a knife in my chest (Me sinto como um velho, com uma faca em meu peito), em referência à luta de Wendy com seu perseguidor.

Para ler a letra e a tradução, clique aqui

Clipe de Dull Boy
E um bônus para vocês, o clipe de Spit It Out do Slipknot, que alterna cenas ao vivo com refilmagens de cenas do filme com os próprios integrantes da banda.

Trilha Sonora - O Síndico e a Seita


A MPB tem vários ícones os quais deixam suas influências literárias claras, é fácil citar nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque e Tom Jobim, alguns até diriam Jorge Ben Jor, pelo disco A Tábua de Esmeralda de 1974. Mas pouco se lembram do nosso querido Síndico, o Tim Maia.


Na década de 70, Tim conheceu o médium Manuel Jacintho Coelho, o homem que psicografou a coletânea de 1000 livros, Universo em Desencanto, que nada mais é que o conjunto de regras e visão da existência segundo a "Cultura Racional" e seu grande mestre, o Racional Superior.

Tim mais se apaixonou pela doutrina após ler o livro. Largou as drogas e da vida boemia, e tentou ao máximo encontrar a "Imunização Racional" que seria o retorno ao nosso mundo de origem por meio da leitura. Abaixo a explicação tirada do primeiro livro.

"Portanto, nunca é demais repetir que está na leitura o caminho para a Imunização Racional, e pela Imunização Racional os infantes são desenvolvidos, encontrando a felicidade no meio do mal, sem esperar, sem saber que passaram a contar com os poderes do Racional Superior"





Encarte do disco (Google Imagens)
No ápice de sua entrega à Cultura Racional, Tim lançou dois discos totalmente dedicados a essa doutrina, Tim Maia Racional Vol.1 e Vol.2. Diferente do que se imagina a música do Síndico não ficou sisuda, os dois discos são extremamente dançantes e considerados o que há de melhor no Soul e Funk feito no Brasil, ainda que as letras só tratem de assuntos relacionados à Cultura Racional.

E de forma inesperada a Tim Maia e a Cultura Racional, ainda fizeram mais uma contribuição para a música brasileira: o nome Racionais MC's vem dos discos, os rappers são fãs declarados de Tim Maia e até já samplearam canções do mesmo.


Tim Maia Racional Vol.1 e Vol.2

Trilha Sonora - Hermann Hesse & Projeto Peixe Morto

Hermann Hesse (1877-1962), foi um escritor a alemão que se naturalizou suíço, ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1946, 19 anos depois de escrever seu maior sucesso, O Lobo da Estepe.

Projeto Peixe Morto foi, ou é (vai saber), uma banda paralela dos membros do Dead Fish. Lançou apenas um disco, Metrofire, em 2001, e fez pouquíssimas apresentações ao vivo. A banda também nunca chegou a declarar o fim de suas atividades.

Autor e banda se encontram na música Carta de Goldmund a Narciso. O livro Narciso e Goldmund foi escrito em 1930 e narra a relação de amizade entre o noviço Narciso e seu educando, Goldmund, num convento na Europa. Os personagens, Narciso e Goldmund, são comumente comparados à Apolo e Dionísio, e até mesmo, Vishnu e Shiva. Tais comparações são feita pela diferença de personalidade entre os dois, que não impede a proximidade entre os mesmos.

Na letra, o Projeto Peixe Morto se apropria dos personagens de Hermann para falar das próprias amizades e aventuras nas viagens para tocar.

Carta de Goldmund a Narciso

"Hoje o show vai ser mais cedo,
Vai dar tempo de conversar
Vamos tomar uns goles no frio de Curitiba
Chamem o Adilson, chamem o Léo,
estamos partindo pro Rio
vamos ficar no Bil.
Posto Nine Arpoador
White russians más intenções
É uma pena você não estar aqui...
Pra que tomar banho, vamos pra BH
No show de amanhã os caras do Dreadfull vão estar
Ontem o Hermes perdeu mais um emprego e eu não tenho
a mínima vontade de trabalhar,
o Nô tá estressado e o Mumu disse que
nunca mais vai se drogar
Chegamos em São Paulo
Liga logo pro Tibiriçá
Estou morrendo de saudade
Da sua cara de bolado
Não temos onde dormir,
Talvez o Tucha e o Zé Calcinha
Possam passar no metrô e nos dividir
Ganhei um zine e uma demo muito legal
Ontem na galeria o mau humor era geral
Falei com o Josú,
Amanhã vou pra casa do Zimath
Não há com o que se preocupar.
E quem precisa do teu futuro?
Quem se importa com a tua previdência?
Hoje terei a arte de um romance
E outra cama para me deitar.
Sinto um pouco de saudades de casa, mas isso vai passar.
A Bia disse que está fazendo algo novo em Brasília,
E o Mariano quer que a gente toque no nordeste.
Vamos amigos usufruir da solidão da estrada..."




Entrevista com Dead Fish em que a banda fala sobre o PPM: [link]

Nárnia x Narnia

Para o mês do Natal nada melhor que uma postagem temática, ou quase isso, por esse motivo escolhi uma banda de White Metal (gênero do heavy metal voltado para o Cristianismo) que além de ter a Bíblia como inspiração também tem forte influência do Universo criado pelo teólogo e escritor inglês C.S.Lewis em As Crônicas de Nárnia e talvez a maior prova disso esteja no nome da banda...

Narnia é uma banda sueca de Heavy Metal/Progressive Metal, fundada em 1996 e que encerrou as atividades em 2010. Mesmo com pouco de tempo de existência, quase 15 anos, e sem fazer parte do primeiro escalão do Heavy Metal, a Narnia é muito respeitada entre os fãs do gênero sobretudo pelo virtuosismo de seus membros, em especial, Carl Johan Grimmark, o guitarrista que tinha apenas 19 anos durante a gravação do primeiro disco da Banda chamado Awakening (Despertar) de 1998.

As Crônicas de Nárnia são dividas em 7 livros os quais narram as aventuras dos irmãos Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia nas terras de Nárnia. Nárnia é uma espécie de universo paralelo, uma vez que as crianças viajam para lá, com uma ambientação inspirada na Idade Média europeia, ou seja, há castelos, reinos, bosques, nobreza, guerreiros de Armadura, ferreiros e etc. Mas o personagem principal, ainda que as histórias não se foquem nele, é o leão, Aslam, uma espécie de messias em Nárnia. Para muitas pessoas Aslam é uma alegoria de Jesus Cristo. Há várias semelhanças entre Cristo e Aslam. Uma delas é o fato de que alguns Narnianos se referem a Aslam como Filho do Imperador de Além Mar, assim como algumas pessoas se referem a Cristo como O Filho de Deus. Mas minha semelhança favorita entre eles está no livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, Aslam sacrifica-se no lugar de Edmundo para livrá-lo da morte na Mesa de Pedra, o que assemelha-se com o sacrifício de Jesus no Calvário para nos libertar do sofrimento eterno.
Capa do Awakening (Google Imagens)

Voltando à banda, na capa de Awakening, o Leão é retratado já renascido por sobre a Mesa de Pedra agora partida. Dos oito discos lançados pela banda somente dois não têm um leão na capa, sendo um deles um Ao Vivo na Alemanha. As referências à Nárnia são constantes nas letras, mas vale citar as mais óbvias, a instrumental The Return of Aslan (O Retorno de Aslam) presente no disco Awakening e Gates of Cair Paravel (Os Portões de Cair Paravel), Cair Paravel é o castelo onde os reis de Nárnia vivem, do disco Long Live The King (Vida Longa ao Rei), que também é uma referencia aos livros.

Por hoje é isso, Feliz Natal e muitas felicidades a todos. Feliz 2014 e até breve.

 
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